7 de junho de 2009

Clocks

Estou encarando o relógio
faz um tempo, agora.
Outras pessoas na sala
também o estão fazendo,
mesmo que não há tanto tempo
quanto eu estive.
Elas pararam: o tempo não queria andar.
Tempo que não anda: esse é o mistério.
Será que o tempo anda?
Se não anda, talvez corra.
Mas como pode correr
se nem ao menos anda?
Engatinha, então. Deve ser isso.
Mas o mundo é antigo,
muitíssimo antigo; tem bilhões de anos.
O tempo já havia de ter aprendido
a andar; mas, pelo que parece,
não aprendeu.
Tempo que não anda portanto não corre,
deveria engatinhar, mas pela idade
deveria saber andar - coisa que não faz,
o que o impede de correr,
suplicando à possibilidade de engatinhar,
mesmo com a idade.
Quer saber? Desperdicei o tempo
em que eu tentei descobrir
como se passa o tempo.
Vou me juntar às outras pessoas, em outra sala
onde não haja um relógio.

5 comentários:

Fábio Flora disse...

Confusion never stops
Closing walls and ticking clocks
Gonna come back and take you home
I could not stop that you now know, singing

"Clocks", Coldplay

P.S.: "Ampulheta" se escreve com "m".

João Victor Borges disse...

Sim, Fábio, eu sei que Ampulheta se escreve com "m" - acontece que a url ampulheta.blogspot.com já estava sendo usada, então coloquei com "n" mesmo (e até que gostei, apesar de estar errado).

E, aliás, essa música foi minha inspiração para esse texto :D

Marciannu ... disse...

Hum q confuso heim....eu tb sempre estou tentanto fazer o tempo passar...hehe....nas aulas então....nem se fala !!!

Roselane disse...

ótimo, muito divertido.....

Blog do Carlinhos disse...

gostei da ideia contida no texto
beem leegal
bjs