16 de outubro de 2009

Rajadas a 360

Os primeiros pingos de chuva
anunciavam a calma antes da tempestade,
e o seu formato fino e singelo
podia ser visto, por vezes,
em feixes de luz solar.

O vento, que antes nada fazia
a não ser pontilhar o chão de asfalto esburacado
com gotas de água solvente,
em uma perfeita diagonal,
agora aumentava seu ego com o crescente sucesso,
e menosprezava toda a tempestade por vir.
A chuva, numa indolência inevitável
em seu conflito regional,
aumentava suas gotas
e diminuía sua temperatura,
fazendo com que o vento fosse nada mais
que um agonizante na peça pregada.
Logo, as duas forças incolores
e sem odor se provocavam mais,
com o objetivo de arrastar
a maior quantidade de coisas no caminho,
causando dor.
Com a chuva jorrando forte
e as rajadas a vários quilômetros por minuto,
todo o existente ia se extinguindo,
e a cada instante mais civilização ia sumindo.
Sumindo a ponto de ir embora para não voltar,
para se deteriorar em algum centímetro quadrado
daquela expansão universal.
Em pouco, também não havia mais
o que iluminar, e o sol, derrotado,
virou-se de costas para algum outro lugar.
Eventualmente, a peça armada
foi delatada, e acabou por cessar.
Mas, no fim, não havia mais luz ou nada,
nesse nada.

20 comentários:

Jel S. disse...

Que interlocução forte!
Adorei o tom de ambiguidade!
Excelente!
__
http://planetabandonado.blogspot.com

Ique disse...

Por um momento revivi a tempestade que me atacou ferozmente esta semana... seguida de outras tempestades sem água depois.

Anônimo disse...

Tempestade acalmam. São passageiras.
Abraços

Gabriel Alex disse...

As vezes uma chuvinha faz bem :P

Schizoid disse...

Pois é, tempestades não arrasam só com os tijolos e concretos da cidade. Levam também vidas, deixando aquele vazio enorme naqueles que perderam as pessoas que amavam.

Excelente o texto.

Wander Veroni disse...

Gostei da forma como vc descreveu o início da tempestade. Parabéns pelo texto!

Abraço

bibianengroff disse...

Adorei o texto, maravilhoso mesmo.
Te achei na comunidade e vou te seguir, afinal é sempre bom ter algo bom para ler :)
Sempre que der vou aparecer, se quiser dar uma olhadinha la no meu, seinta-se em casa :)
beijão, bom finde ;*

bibianengroff disse...

É na verdade gostaria de saber como te seguir, muit moderno isso tudo e não encntrei o link na página :B HAHA ;/

bibianengroff disse...

hihi, encontrei o botão e estou seguindo, bjbj ;*

Jonathan disse...

Depois do forte temporal vem os lindos dias de sol!

comente: http://librianodoamor.blogspot.com/

Felicidade Clandestina. disse...

depois da chuva vem a bonança.

achei ótimos os textos.

Jorge Vale disse...

Por falar em tempestade, o Instituto de Meteorologia previu muita chovada, trovoada e vento forte para Portugal.

Adorei o seu texto :)

www.de-graoemgrao.blogspot.com

Karina Lie disse...

toda tempestade deixa alguma marca...
mas dias melhores sempre vem :D
ótimo texto!

-
akaraje.blogspot.com

Steffi de Castro disse...

Tempestades naturais ou emocionais sempre deixam marcas.
Que nem sempre se cicatrizam...
___________________________________
complexodasletras.blogspot.com

Pobre esponja disse...

Adoro chuvas em textos. Esta é meio apocalíptica. E forte e bela. Nota-se que, ao contrário da imensa maioria blogueira, você lê mais que escreve - algo que creio ser essencial.

abç
Pobre Esponja

Gabriel Alex disse...

Você escreve muito bem, parabéns!

Francis Vaz disse...

...e a cada instante mais civilização ia sumindo.

Achei essa parte, boa para ser comentada, pois esse eu interpretei de forma como se a tempestade levasse vidas e infelizmente isso acontece muito ainda mais nos dias de hoje onde o homem que muita das vezes provoca isso.
Belo blog, abraços!

Pedro disse...

Adorei!!!

=)

Esther Saldanha disse...

Adoro tempestades, elas são poderosas e belas.

Anônimo disse...

Muito, muito bem escrito. E pra variar, muito bom tbm (:
Gostei bastante.
Julia Vital.