18 de abril de 2009

Último Dia

Enquanto eu andava em direção à saída,
me sentia cada vez pior.
Meus pés cheios de areia
roçando no pano desgastado dos meus tênis,
a chuva caindo forte
em meu cabelo e corpo, ensopando-me;
o sol tentando aparecer
por entre as frestas das nuvens,
os gritos de vitória das pessoas
à alguns metros de mim,
na quadra de vôlei de areia, vencendo a partida.
Deixar aquela escola seria horrível.
Eu não demonstrava,
mas parecia chorar
com a mesma intensidade
com que caía a água que me molhava.
Enquanto eu andava em direção à saída,
sentia um ronco no estômago
cada vez mais forte, achando que fosse vomitar.
Olhei para trás e vi alguns de meus amigos,
amigos que continuariam naquela escola,
porém eu não iria.
A chuva parecia zombar da minha cara.
Além de me deixar afogado naquela água gelada,
além de fazer meus tênis virarem pó
por andar na grama molhada,
me lembrava o quão triste eu estava.
Cheguei à saída, deveria estar indo embora.
De repente, percebi que o carro
ainda não estava ali, e isso me alegrou.
Teria mais alguns minutos finais
do que pensava que teria, naquela escola.