14 de janeiro de 2010

Pontal Crusoé

­ ­ ­ ­ ­ Eu nunca me senti tão livre.
­ ­ ­ ­ ­ Flutuando num mar aberto maior que qualquer fronteira desenhada nesse mundo,
­ ­ ­ ­ ­ meu corpo é levado para longe de tudo que eu conheço.

­ ­ ­ ­ ­ Nunca me senti tão anônimo na essência de estar só,
­ ­ ­ ­ ­ e é esse descaso que alimenta meu sentimento de liderança,
­ ­ ­ ­ ­ naturalmente automático nessa condição.

­ ­ ­ ­ ­ Estando longe da terra como estou,
­ ­ ­ ­ ­ nada se aplica ao meu viver senão a minha palavra,
­ ­ ­ ­ ­ e eu tendo a torná-la lei.

­ ­ ­ ­ ­ Nessa imensidão azul, a minha sociedade sou eu,
­ ­ ­ ­ ­ e eu não me considero subordinado à nada
­ ­ ­ ­ ­ que meus instintos possam julgar.

­ ­ ­ ­ ­ Estou mais livre do que sempre imaginei que estaria,
­ ­ ­ ­ ­ estou no topo de uma sociedade oposta àquela que eu tanto fugia,
­ ­ ­ ­ ­ escolhendo indubitavelmente me colocar num lugar
­ ­ ­ ­ ­ aonde eu posso seguir a minha justiça.

­ ­ ­ ­ ­ Individualismo não é a questão dessa fuga, pelo contrário.
­ ­ ­ ­ ­ O ideal seria que, naquele continente aquém do atingível,
­ ­ ­ ­ ­ o maior número de pessoas pudesse se reunir à decidir pelo conceito de justiça
­ ­ ­ ­ ­ e rever seus discursos sobre como a hipocrisia é uma solução.

­ ­ ­ ­ ­ Foi pensando nisso que me atirei do primeiro penhasco em direção irrefutável ao mar,
­ ­ ­ ­ ­ para que a correnteza me levasse para qualquer lugar inabitável
­ ­ ­ ­ ­ aonde eu pudesse revigorar minha energia,
­ ­ ­ ­ ­ depois da exaustão que foi viver naquele mundo.

26 comentários:

Laryssa Franklin. disse...

Escreveu enquanto viajava?
gostei muito do texto...

se quiser dá uma passadinha aqui: http://desordemedesinteresse.blogspot.com/

Oseas Barbosa disse...

pow para parabens..mto bem escrito, e tem um desabafo dos tipos de texto que eu gosto de ler...

Oseas
http://www.toscorama.com.br

Rogerio disse...

belas palavras,,,viajei nas palavras...uma viajem literária..parabens...

Inez disse...

DEsta vez você caprichou mesmo heim!
Nossa tá profundo - "Nessa imensidão de azul, a minha sociedade sou eu"

Esther Saldanha disse...

Meu caro,
Existem pessoas que nos fazem sentir cada palavra, cada frase, cada parágrafo e nos desligar do mundo enquanto lemos.
Você é uma dessas pessoas.

Henrique Alvez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bersebah disse...

Ampulheta?

Que nome interessante.Gosto de ampulhetas.

Interessante o texto...nem sei o que dizer.

Mas considero interessante a narração, que, no mina primeira reflexão, parecia ser de um capitão, ou almirante de um grande navio, ou algo de gênero.

Depois de um velejador solitario, bem rico, em seu barco, em uma viajem.

O final...me deu a concepção de um suicida, ou de alguem, procurando uma aventura beeem radical.

Interessante, ainda mais pelo sentido forte que passa a mensagem, que é a de liberdade, de confiança, e sensibilidade ao mundo, no seu sentido mais singular do todo(ao menos a meu ver.

Parábens pelo blog.

Apenas um detalhe...o fundo é muito branco, chega a doer um pouco meus olhos.
Penso que um fundo mais colorido, alguma imagem simples, mas texturizada, deixaria o blog ainda mais agradavel.

Um abraço, e obrigado pelo comentário em meu blog.

João Victor Borges disse...

Laryssa e Bersebah.

na verdade, o texto fala sobre alguém que realmente flutua em mar aberto, sem apoio de barcos ou navios, como se boiando.

Lenivaldo Silva disse...

Muito bom o tesxto cara.
Eu tive problemas quanto a url do blogger tempos atrás.

八洲商店 disse...

Adoro o blog ampulheta! Na verdade, acompanho desde que começou, mas nunca memanifestei! Obrigado pelo comentário no meu blog!
Sejamos amigos! 8D

Um grande abraço,

Rubens Yusuke (Loja Yashima)

rattleheadbrasil disse...

Excelente texto, inovador e espirituoso, uma boa mensagem para refletirmos. Abrços

Tomaz Dantas disse...

E isso ai cara esse texto e muito massa!!!

♪ Viíh disse...

- Parabééns pelo blogger e Obrigado por comentar no meu.! Estou te seguido ;D

Curioso disse...

uau, gostei muito do texto! Parabéns, vou ler os outros também. =)

http://curiosoemacao.blogspot.com/

Bruno disse...

Eu subestimei o seu post, mas fui me entregando a cada palavra, com a sensação de ser um pouco delas. Muito bom mesmo!!

Visite minhas peosias também:

www.bsproduca.blogspot.com

Minerva disse...

" a minha sociedade sou eu"
ADOREI
Parabens pelo belo texto

bianca disse...

Liberdade é essencial ;)
parabéns pelo texto !

Don Łıno disse...

Nossa, muito bom o texto. Profundo, eu amo a história de Crusoé. Ela é muito fantasica. *-*'

Forlly disse...

Nessa imensidão azul, a minha sociedade sou eu,
­ ­ ­ ­ ­ e eu não me considero subordinado à nada
­ ­ ­ ­ ­ que meus instintos possam julgar. *---------------*
amei essa parte, super amei.
Tem tudo haver comigo. Alias, todo o restante está maravilhoso. Voce escreve muito bem, nao faz junções de palavras fazendo as frases ficaram pesadas e redundantes.
Gostei mesmo. Robinson Crusoé rlz. Sexta Feira -q

Aborrecente Informado disse...

texto bem xiketoso xD

bem profundo e interessante...
sempre que der vou dar uma passadinha aki ;D

de uma passadinha aki tmb:
http://aborrecenteinformado.blogspot.com/

Ana ® disse...

Parabéns pelo talento, colega blogueiro! ^^

Roselane disse...

VC É DE UMA SENSIBILIDADE ASSUSTADORA E COMOVENTE,E UMA DELÍCIA DE SE LER, AS PALAVRAS FLUEM COMO ÁGUA FRESCA DE NASCENTE.......AMEIIIIIII
BJSSSS

Bersebah disse...

Retribuindo o comentário:

Obrigado pelas palavras em meu blog, a respeito do conteudo que postei, também considero bastante os textos que publica, e desejo ver uma atualização em breve.

Avise me quando atualizar, me visite também.

Um abraço

Lara da silveira disse...

UAU! que lindo, amei

Henrique Alvez disse...

vejo muita solidão nesse texto
mas um contentamento com isso, com certeza
mas talvez tbm haja alguem esperando por algo....~
devo ter interpretado errado...
enfim, parabéns pelo texto. bem escrito, profundo e subjetivo
ótimo.

Vinicius Oliveira disse...

muito maneiro o seu blog, parabens. é serio. escreve bem demais

http://viniciusoliveiraa.blogspot.com

comentem gente