10 de abril de 2011

Chica

Passava mal havia dias, não respirava e não comia, nem de sua sede bebia. Descobrira que o efeito era incurável mas não podia se deixar vencer, era muito fácil. Lutou por meses caídos em anos e de nada se curava, continuava sem comer e nem beber, mal respirava. Decidira então que iria morrer, o faria de bom grado já que tentara e não conseguira sobreviver. Com a morte não se brincava e se o tempo lhe clamava então com o tempo ela estava. Dissera que iria para o chão e de lá seu corpo permaneceria sem alma e parado coração, e foi-se feliz para se juntar ao clamor hostil mas necessário dessa vida febril. No chão arrebatada esperava que lhe carregassem e lhe carregara não a morte, mas mãos divinas que a puseram de volta ao alto em grande porte. Tentara outra vez irritadiça, e se jogando do abismo sofrera em silêncio da doença de outros tempos mestiça. De novo lhe colocara a mão no cosmos defraudos, e não entendia o que se passava pelos mortais laudos. Já uma vez tentara vencer e não conseguindo se juntara ao inimigo, portanto agora outra vez ao invés de ao chão ir, pelos céus voando iria partir. Atirou-se com dificuldade ao céu pavoroso e voou com pesada leveza pelos ventos em senhorio gozo. Passou bastante tempo até que enfim morrera o pássaro voando, de todos os privilégios do voar desfrutando. Voara por toda a vida e em seu último suspiro não fora trazido ao solo, e tampouco suas asas morreram fechadas como deveriam se de eventual encontro ao chão e ao dolo colo. Está agora sem dor e sem sofrer, em paz percorrendo acres dos céus do amanhecer e do anoitecer, pois suas asas não morreram vivas por cortes temporais, mas vivas para sempre em todos os eternos vitrais.

5 comentários:

Victor Von Serran disse...

que texto triste velhão...mas tem sua complexividade !

abraço!

te vejo lá no cronicas !

Anônimo disse...

Own, eterna Chica calopsita <3
E anpulheta ressuscitou, aê o/

ROSELANE disse...

QUE BELA HOMENAGEM.........LINDOOOOOOO
TENHO CERTEZA QUE ELA OUVIRÁ.....

Victor Von Serran disse...

sumiu mesmo ?

Anônimo disse...

você escreve incrivelmente bem. Parabéns !