12 de agosto de 2011

Insone

Dorme como só. Tranquilo, estupefato e apodrecido tranquilamente na cama se revolta a si mesmo, e prefere dormir. Dorme como só não dorme melhor por ausência, a ausência que lhe falta. Não pode contar consigo enquanto dorme: já é ausente para si mesmo em vida, que dirá em morte – no mais, uma morte isolada, em principal por si mesmo que lhe esquece de que morreu. Pressente ausência portanto o quarto está vazio. Ninguém dorme a não ser ele. Ninguém dorme a não ser ele que não consegue dormir. Está sozinho com os outros e está sozinho, e consigo estão os outros, mas há ausência no quarto.

De olhos fechados além da escuridão ímpar observada ele observa tudo dentro de si, por dentro dos olhos e para dentro dos olhos. Olhos fechados não o conduzem a mais do que ao seu próprio eu ausente, o que nem nada significa. Não significa. Pensa portanto em abrir os olhos amplos grandes angulares para conferir ausência outra que não a sua própria e os abre infielmente cerrados, como a uma porta de madeira verde encostada – nem aberta nem fechada, o que traduz zero significância, ainda pelo fato de que não existe madeira verde – ou um muro por si só, o que define dois lados com os quais o muro não compactua de posição. Infiéis. Aos olhos abertos encontra a escuridão, embora não a sua própria, mas escuridão tanto quanto.

Não define traços nem características, não define. Não difere sua escuridão de escuridão alheia da qual se apropria, as tem como as mesmas. Talvez por isso não signifique presença. Olha a volta como a quem busca madeira verde ou presença. De tamanha confusão não define nem um nada ao vácuo perplexo – talvez complexo, já que indefinível. Não define escuridões, por isso abre e fecha os abre-fecha olhos repetidos infielmente.

Não abre nem fecha, abre e fecha, como não define e difere muros de madeira e escuridões. Ausência plena em si e outra em outros que não o têm à hora da vida, que dirá à hora de dormir. Nanará portanto volta a dormir como só.

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