20 de janeiro de 2012

Quádruplas


Percebe-se eventualmente
a verdade das paredes quádruplas.
Não são quádruplas por natureza
embora quadrúpedes de fato as habitem,
tomando por certeza que uma construção
por mãos de quadrúpedes antinaturais
que a construir portam-se de pé
em dois de seus quatro pés
não é antinatural e sim originalíssima
tendo em vista a visão pouco vasta
de quadrúpedes que naturalizam à primeira instância
entidades quaisquer postas em terra no mundo.
            Entende-se que as paredes quádruplas
tão insignificantemente difundidas
pela vida habitável assumem caráter
de simplicidade simbólica, uma vez que
quadrúpedes tem para si que só são quadrúpedes,
mesmo quando em duas patas,
em suas naturalíssimas paredes quádruplas no corpo.
            É evidente que se paredes quádruplas
o quadrúpede criou, foi pensando em si mesmo.
O construtor longínquo teve decerto
dificuldade em decifrar que para casa
e ambientes privativos, nada mais simbólico
que a própria caixa quádrupla
com a qual ele metaforizava.
Teria sido intrínseco ao quadrúpede humano
a realização sólida de seus devaneios
nunca revelados e continuadamente cogitados
pelas vinte e quatro horas criadas
de todo o tempo também simbólico
pelo qual ele se regrava.
O quadrúpede tinha para si
que simbolismos poucos como paredes
e templos e carruagens e praças e aeronaves
e cadernos eram apenas símbolos
àquilo que ele contaria de imediato
em vida: tinha por certeza como dois mais dois
são quatro e pouquinho que estaria de sempre
protegido por testa, têmporas e nuca
que lhe firmavam os pensamentos quádruplos
e para o inferno com paredes segundas
ou terceiras, porém não quartas, mas quádruplas,
pois de casas e fechamentos não precisava
o quadrúpede tendo nota de que mesmo
em meio à trupe, à plebe ou à rodoviária,
o quadrúpede contaria ad infinitum
consigo mesmo.

2 comentários:

Anônimo disse...

EXCELENTE TEXTO. INTELIGENTE,CRIATIVO . VC É UM GÊNIO ,GRANDE ESCRITOR...!!!!
SUCESSO!!!!

Anônimo disse...

Grande escritor, vc vai longe....