24 de agosto de 2012

Deséulengia


Todo esse tempo, que enquanto vem traz esse vento, que enquanto bate na areia barrosa a faz voar como o pó mais fino, embora os grãos grossos não sejam dispersão, afinal os carros passam errantes galantes pouco impactantes, ante a visão pura desse reflexo branco, que como espelhos redirecionam o foco e o desfoco, conforme toca a música do motor ao fundo, de acordo com a vontade de quem por si só trabalha, nem tempo nem vento de pensar no vento, que continua a tocar a pele e a barra da calça, de tão suave entrando por dentro da costura melhor de arremate, e lambendo sem líquido algum os pêlos de pouco a muito grossos, de poucos a muitos por todas as pernas, e nem o vento, que não apenas compõe como rege a cena, de cenário chapado da montanha ao sol e à sombra do céu, que não é azul mas também não é branco, não consegue nem o vento desviar a atenção da palpitação rápida, de segunda e terceira intenção do olhar máximo, e de tão breve é tão intenso ao par, o par que poderia ser perto mas é longe o par de sapatos roxos, de tanto olhar gordo para os cadarços desamarrados que de tão livres, para mim deveriam balançar não com outros mas apenas com o meu vento.

Um comentário:

Anônimo disse...

jOÃO Victor vc é genial,continue assim que fará sucesso.