17 de agosto de 2012

Houve o Tempo do Mar


Houve o tempo em que nasci
à beira-mar ouvi o som do quebrar
e senti o cheiro do esforço que fiz
chegando a ver a praia de mar.

Houve o tempo em que fui batizado
às margens da espuma espelhar
de uma onda milenar, quebrada
que descobri chamar-se ela “o praiar”.

Houve o tempo em que a areia
atolou-me forte a joguei para o ar
fazendo-a rolar grão a grão abaixo e com ela
estirávamo-nos em direção à água-mar.

Houve o tempo em que cavei
a areia bisbilhotei as conchas
vivas de pesar amantes entre si
voltavam sempre comigo ao mar.

Houve o tempo em que mergulhei
nadando ondas fundas fundadas
à jacarés voadores voavam
em direção à areia atolada.

Houve o tempo em que aprendi
conseguir boiar e me deixar
levar a mim comigo até que
o mar engolisse a nós dois e ao mar.

Houve o tempo em que andava
sozinho ia à praia sozinho
afogar problemas absorvidos
absolvidos convectivos ao mar.

Houve o tempo em que pontais
íamos pontuais subir e descer
e escalar e se deixar ter
a saudade de nós e do mar.

Houve o tempo em que três
a esperar quatro ciclos
de areia solar cor solar
resultava em mergulhos no mar.

Houve o tempo em que interior
izei-me e de lado na cabeça deixe
ei izar o que depois no corpo guarde
ei todas as lembranças do mar.

Houve o tempo em que arrancado
sofri uma raiz hermética em postar
se em terra plana ela houve de estar
á esta a mil distâncias do mar.

Houve o tempo em que perceber
apesar de todos os tempos do ser
somar em um único eunuco ter
em si a continuação do mar. 

Houve o tempo em que cheirar
meu relógio continua a exalar
a continuar o exalo do cheiro
cheira ainda à maresia do mar.

Houve o tempo em que cheirar
meu relógio passou a exalar
além do exalo do cheiro do mar
um exalo preto longe incorporado.

Houve o tempo em que o emborrachado
cheiroso porque ainda cheira
em sépia relógio ainda arde na pele
amortecida de dor mas não de calor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Caramba JÕAO VICTOR, quanta imaginação,menino vc vai longe. Parabéns!