2 de novembro de 2013

Não Choveu em 02.11

Não há parâmetro espectral para o sol. Nem para o azul que desce à hora do verão e fica limpo como se o céu estivesse sempre limpo, e não houvesse nuvens nem a ideia de nuvens. Anda por baixo olhando para cima e repara que não há geometria sequer na mutabilidade inesgotável das nuvens que não existem. A tara que tem pela forma reflete o azul que desce escuro depois de ter estado claro e também as nuvens que caminham em absolutamente todas as direções, menos para baixo. Repara que as nuvens são fluxos de coisas que podem ser tantas coisas que circundam suas existências e desistências, e suas desistências com suas desistências são tão igualitariamente compatíveis que não se misturam por nada que seja natural nesse mundo estranho e geométrico do ponto de vista humano e humanitário. As cores não são à toa. Nenhuma cor existe por existir como se os dois focos de luz amarela de um poste lançassem frequências bolhadas e familiares porque fossem. Lançam para lembrar as viagens e as estradas e as infinidades múltiplas de postes sequenciais que passam mas não findam nem que feche os olhos, como se a frequência de luz ultrapassasse a barreira do não querer olhar e o preto celestial que se atinge se tornasse inconsequentemente amarelável. Chega ao ponto de entender que tudo é construção humana mesmo que as cores funcionem. Se memórias representam luzes amarelas que não as solares por estradas de asfalto então a memória é construção humana. Fica triste porque entende que à noite o céu pode ficar roxo e que a erva mate, a água e o limão podem combinar. Anda ainda olhando ainda para cima porque percebe mais perceptivelmente que gira mais o sol que a terra e que estão plenos de sentidos comparáveis, como a existência inexplicável de aspartame. Pergunta o que na terra é por natureza se até o sol que é autêntico é facilmente decifrável por relógios.

2 comentários:

Yasmin Silveira disse...

Tanto tempo que eu não passava por aqui... Adoro seus textos! Não deixe de postar... estou aguardando os próximos. :)

orasbolotas.blogspot.com

Ana Clara Mesquita disse...

Cara, esse tipo de reflexão é tãao... tãão João! <3