19 de dezembro de 2014

e a árvore caiu na tempestade

o sublime. o chocar entre o momento de olhar e o momento de reconhecer. o chocalho não é à toa. barulha a favor ou contraluz. pode não ser visto se não for ouvido. pode não ser visto se não se incluir na paisagem. nascido na vontade de exprimir o inexportável. declara ser seu objetivo 1. as paixões e 2. a propriedade das coisas que, pela experiência, sabe que influenciam as paixões. a natureza circundante poderá ser melhorada. nascido mesmo da vontade de exprimir o inexprimível, o gosto pelo sublime prevalece sobre o gesto pelo belo. o sublime traz uma qualidade de extrema força ou amplitude que é ligada ao sentimento de inacessibilidade diante do incomensurável e provoca espanto inspirado pelo medo ou pelo respeito que se eleva, que se sustenta no ar, reações estéticas nas quais a sensibilidade se volta para aspectos extraordinários e grandiosos considerados hostis e misteriosos, que desenvolvem afinal o sentido da solidão. a vida já é bastante infecta. não tem bem como fugir disso tudo.

3 de dezembro de 2014

coerção

                                                                                                          i know what you mean                                                                                                                           you made me

16 de novembro de 2014

~

eu
ele
e a luz

o cavanhaque
e o sono

o amarelo

tão rápido o momento entre a luz e o escuro

5 de novembro de 2014

cosas pequeñas

creo en las diferencias y me elucido poco a poco de ellas. es mucha desigualdad ciertamente. pienso inclusive muy sensorialmente en las pasajes .

por un lado, ha poseído acres interminables de cristales de arena llena y mutante según el viento y los pasos caminados: solo para introspección delirante .

por otro, muy rara vez ha llegado de absoluto a no compartir del mínimo metro cuadrado existente de esta misma arena llena de cristales y también de personas: almas vivas y de mutación según la voluntad de los pies .

para que se llegue al panorama más amplio y alto de los paisajes, ellos tienen que extenderse ante la roca bruta y por entre matorrales, como una saga al cielo y a respiración más limpia y penetrante. otros paisajes son amplios por naturaleza porque descampados en demasiado. aunque no altos, naturalmente aquietan el sentido de grandeza por todo que es posible sufocarse a través de los ojos .

los ríos no son ostentosos para baños y el mar no es calmo tampoco caliente .

aún alguien va inferir que estas cosas pequeñas distinguen como más nadie. helado y rebelado mientras pacificado y calentado. ambos, sin embargo, refrescantes al sol .

recuerdo de tener leído una vez un mensaje triste que amargaba el facto de haber entregado y dedicado todos los paisajes y todos los amigos mientras todo que había recibido fuera un filme que no representaba en absoluto la cosa más bella y pulsante para impactar la vida. pienso que no es verdad este mensaje .

probablemente no ha reconocido que ha rechazado los amigos y paisajes más íntimos que fueran, como son aún, ofrecidos largamente. yo no sé qué se pasa a veces .

es como la certeza mayor que no hay que ver con el ego, pero con el etno, talvez. tiene que ver con el facto de que la proyección va muy esencialmente hasta el redor de las comprensiones mientras los sueños de todos los días abrazan las cosas más exteriores a todo que ha sido experimentado .

es como una hipnosis de esta primavera tardía pero ya muy caliente .

boom .

ahora es blanco el cielo, y la luz .

13 de outubro de 2014

o som

ver todo sol que nasce e todo sol que se põe
e perceber muito perceptivelmente que a terra está girando.
 meio que não anda meio que não fala meio que veio.
carinhos vêm e se perdem ou mesmo não vêm.
continuam perdidos em fazer e desfazer ou deixar de fazer,
 deixar pra depois, pra um minuto seguinte que vai chegar.
e um ponto óbvio é esse gosto metálico na boca,
assim como a porta é tão funda quanto parece
e as imagens são marcadas pelo filme fotográfico.
rede de casal
cama de viúvo
sofá pra um:
poltrona reclinável no escuro.

a sugestão é muito mais forte que a exposição.
ainda anestesiado com a confusão da descoberta
em volta da ideia de eternidade
e essa relação clara com as pessoas
sem intenções etno nem egocêntricas
mas qualquer coisa fica mil vezes mais potencializada
e poderosa
quando envolve pessoas.

é tanto que preencheu preencheu preencheu tanto
e transbordou.
evaporou aos poucos ao sol.
mais fácil mesmo ir atrás de sons
que representem estados de espírito
do que transitar entre estados de espírito
que acabam por representar sons.

o som
fonético
carismático
magnético
elétrico
cósmico
hipnótico
tétrico
tântrico
cítrico
psíquico
hermético
exótico
romântico
hipotético
característico
platônico
esférico
periférico
estético
virgínico
páprico
estrábico
tropicálico
mímico
épico
bucólico
ilógico
histórico
prático
metódico
cêntrico
único
idêntico
cinematográfico
aracnofóbico
excêntrico
plástico
enigmático
frenético
américo
tréplico
polêmico
irônico
tóxico
téxico
emblemático
holográfico
paradigmático
fálico
enérgico
térmico
gimnospérmico
atmosférico
entusiástico
alcoólico
tônico
atômico
cênico
nostálgico
lúdico
doméstico
transgênico
sarcástico
psicodélico
cíclico
orgásmico
orgástico
orgasmático
e sádico.

6 de agosto de 2014

noite

i walk through your
steps
shoes
& feet

all i see
is bright yellow
though i feel
red
blue
turquoise noise
& blur

i cannot take my eyes
off your eyes
eyes
for i see nothing
but the city
& you

21 de julho de 2014

nota de esclarecimento

Hoje é segunda-feira, 12 de maio de 2014. Acordei 8h no susto. Devia ter acordado no máximo umas 7h pra aula mas passei a noite editando um vídeo que queria fazer e acabei dormindo demais. Saí correndo pra aula de Literatura e consegui chegar umas 8h15, e aí pensei que não valia mais a pena entrar na sala porque faltavam 5 minutos pro final da aula. Esperei a turma sair e expliquei pro professor que tinha dormido demais. Beleza, fomos pra aula de Física. A professora voltou um pouco no conteúdo, aí pediram a correção dos exercícios da aula passada. Vi que tinha feito alguns e lembrei que não fiz todos porque comecei a me irritar porque não entendia a matéria direito e larguei de mão. Devia ter me esforçado mais nesse dia dos exercícios mas fiquei pensando numa garota que eu tinha ficado num fim de semana fora da Escola que ficava falando espanhol e tava bem chapada e como tinha sido meio bizarro mas pelo menos ela era gata. Daí na aula fiquei pensando que tinha que estudar mais Física pro vestibular. A professora voltou na explicação que eu já não tinha entendido e continuei sem entender. Um pessoal da turma já tinha super assimilado o que ela tava falando e fazendo comentários à frente da matéria, então pensei que ia ser melhor mesmo pedir ajuda pro Gabriel depois que sabia tudo e com ele eu sempre entendia. Além de tudo ainda tava meio lesado de sono e pedi pra professora pra ir no banheiro lavar o rosto. Fui, lavei e aproveitei pra passar na sala dos professores e pegar um café. Voltei pra sala depois de esbarrar com um cara que nunca tinha visto na vida e que me deu um bom dia tão performático que me assustei, resolvi os exercícios que consegui e acabou a aula. Ok, aí as aulas foram passando até a hora do almoço. Já tava louco de fome e fui ver que tinha caído na mesa de um professor que não gostava tanto, mas na mesa tava também a Marcela e pensei que ia colar nela. Beleza, sentamos pra almoçar, almoçamos e o professor falando umas coisas nada a ver, e eu pensando que tinha que ser menos monossilábico e comer um pouquinho mais rápido se não ia ser o último como sempre e comer tendo que assistir às pessoas me assistindo comendo, essas coisas. Acabou o almoço, o molho de pimenta não rodou pra mim e fui embora não tendo que limpar a mesa. Cheguei no quarto e arrumei a zona que tinha deixado de manhã. Arrumei a cama, a gaveta dos uniformes, a escrivaninha e tal. Aproveitei até pra varrer o quarto em vez de só passar um pano em cima do resto de pó de desodorante pra pé que ficou lá no chão, como eu costumava fazer. Aí deu a hora da aula e no que eu tava saindo do prédio esbarrei com o Vinicius. A gente foi andando e ele perguntou por que eu não tinha respondido a mensagem dele, falei que tinha saído correndo de manhã e tinha esquecido o celular no quarto. Chamei ele pra ir na Toca mais tarde, ele disse que ia ver, nos abraçamos e fui pra Biologia. Fiquei a aula toda pensando como era um saco ter que se cumprimentar ou se despedir do cara que você fica com um abraço. Não por causa do abraço porque abraço é ótimo mas porque o Vinicius tinha que se preocupar tanto, sei lá. Vivia dizendo que não queria que a Escola chamasse ele pra conversar por causa disso e que por isso era melhor deixar mais quieto, se preocupava com os outros o tempo todo, ficava se vigiando pra não deixar as pessoas vigiarem ele. Praticamente não conseguia nem ouvir o que o professor tava falando de tanto que eu lembrava o quanto o Vinicius era desnecessário nesse sentido e como a Escola era chata só pelo fato de que em qualquer lugar que você esteja vai ter alguém te olhando mesmo que não queira. Tava nem aí e queria me despedir com beijo mesmo. Até que o professor começou a explicar como iam ser os trabalhos do final do bimestre e caí na aula porque fiquei preocupado. Na boa eram muitos trabalhos pra entregar tipo em um mês que faltava pras férias. Peguei minha agenda e fui pensando como organizar os trabalhos com os das outras matérias, quando eu ia fazer e com quem. O planejamento ficou lindo e pensei que tinha que conseguir fazer tudo dentro daquele esquema pra não me enrolar mais porque ainda tinha que estudar Física. A aula acabou e a gente foi pra outra e depois pra outra e chegou o lanche. Não tava com fome e resolvi ir pro prédio ver se arrumava horário na lavanderia. O final da tarde tava com o céu super azul de outono. Cheguei lá e não tinha um horário bom até o final da semana e aí pensei que não podia ficar até o fim de semana sem lavar roupa então subi peguei minhas roupas e coloquei pra lavar ali no horário do lanche mesmo. Era o tempo de trocar de roupa, pegar as coisas e ir pra biblioteca resolver o trabalho de Sociologia pra quarta. Peguei o celular no quarto pra chamar o pessoal e vi duas mensagens chamando pra ir tomar tereré atrás do ginásio. Fui na varanda e vi que o final da tarde tava mesmo com o céu super azul de outono e resolvi ir tomar tereré. Liguei pra Isa e ela já tava na biblioteca mas acabei convencendo ela de ir com a gente. Depois mandei mensagem pro Vinicius chamando também. Levei o computador e o material de Sociologia pra trás do ginásio e fiquei o resto da tarde com o pessoal tomando tereré e engasgando com o trabalho de Sociologia, mas fazendo né. Acabou que o Vinicius foi também. Daí alguém falou pra gente aproveitar o resto do sol e tomar banho de mangueira e todo mundo animou, ligamos a mangueira da piscina e ficamos lá. Todo mundo na mangueira e eu ficava olhando pro Vinicius e pensando como ele era gato. Falei pra ele pra gente jantar junto no último tempo porque tinha Francês no próximo e ia com a Isa pra biblioteca no terceiro terminar o texto de Sociologia. Beleza, fui pro quarto me secar e aí pro Francês. Foi ótimo primeiro porque eu adorava ir pro Francês e depois porque consegui amarrar uns rascunhos de Sociologia aqui e ali. Cheguei na biblioteca com quase tudo pronto pra juntar com os textos da Isa e terminamos até rápido. Deu tempo de separar o que cada um ia fazer pro primeiro dos milhões de trabalhos de Biologia e de ir atrás do pessoal do grupo de Química pra pegar os resumos que iam entrar pro PowerPoint que eu tinha ficado de montar. Peguei todos no pen drive e passei na sala da saúde pra ver se tinha horário pra doutora Cris na semana. Me perguntaram o que eu tinha pra ir na Cris. Perguntam sempre e eu respondo sempre que não interessa porque fico envergonhado de justificar consulta. Acabou que tinha horário pra sexta, marquei e antes de sair da sala ainda me perguntaram quem tinha autorizado o banho de mangueira mais cedo. Disse que ninguém, e aí me deram o toque de que na próxima vez a gente tinha que avisar pra eles colocarem na programação. Daí fui jantar com o Vinicius e comemos até rápido. Ficava olhando pra ele e pensando como ele era gato. A janta toda. A gente terminou e faltava aí uma meia hora pra entrar no prédio. Ele falou pra gente ir deitar no campo antes de entrar. Concordei logo porque só pensava em como ele era gato e deitamos bem no meio do campo onde é mais escuro e ficamos lá se pegando até dar a hora. Quando a gente tava voltando pro prédio me chega Andressa dizendo que tavam me chamando rapidinho lá na sala da coordenação, urgente. De cara suei achando que tinha a ver com o campo mas enquanto andava pra lá pensei que não fazia sentido se ela não tinha chamado o Vinicius também. Cheguei lá e me cumprimentaram perguntando o porquê da minha pele seca, não entendi nada. Depois vieram me falar que precisavam de um relato escrito de como era um dia no cotidiano de um aluno Escola Sesc. Perguntei pra quando e disseram que era urgente pra amanhã. Então voltei pro quarto meio chateado meio afobado que ainda tinha que montar o PowerPoint de Química e escrever esse troço. Beleza, cheguei e fui catar minhas roupas na lavanderia e trouxe pro quarto, larguei em cima da escrivaninha e fui me arrumar, tomar um banho que tava precisando, aí sentei pra começar a montar o PowerPoint. Abri os resumos e vi que alguns tavam com a ortografia super errada, outros super mal formatados. Respirei e comecei a ajeitar tudo. Tudo no slide imenso que não terminava nunca. Daí comecei a reler a minha parte pra não esquecer qualquer coisa na apresentação de amanhã e terminei. Daí fui dobrar minhas roupas no escuro com a luz do computador porque o Lucas já tinha ido dormir. Foi que já era quase meia-noite quando eu comecei a escrever isso pra coordenação. Espero que não rejeitem. Tô morrendo de sono e provavelmente também vou acordar atrasado amanhã.

8 de junho de 2014

junho com saturação baixa

Hoje o dia acordou mais orgânico muito por conta da temperatura das cores. O céu super azul completamente pintado pelas nuvens de brancas a cinza claras a cinza escuras. A temperatura do sol tão sutil que não a sentia amarela. Era branca mas possivelmente translúcida, transparente. O quanto de verde hoje está verde é um deslumbre. Até o ar acompanha a temperatura azul do céu e transparente do sol. É tão palpável e orgânico quanto a composição do dia. O ar frio abarca, protege e potencializa o sentido de respirar hoje. O ônibus não tem excepcionalmente ar condicionado e todas as janelas estão abertas. A linha amarela está toda livre às 7h da manhã e o ar se locomove porque o ônibus se locomove. Meu cabelo dança porque minha cabeça dança encostada. Se transporta. O mesmo ar que respirei ao abrir a porta é o ar que me chega pelas janelas. Se você olha pra cima e pro céu e pisca muitas vezes hoje você sente os átomos do ar batendo nos olhos e girando elétricos como zoom in e out macro e micro dentro e fora em detalhe e panorâmica, como cílios dos olhos que caem por dentro mas não machucam: acomodam. Se houve intenção de se fazer despercebido, hoje a subversão da vontade vem pela simples inaptidão a ignorar o dia quando ele se consolida tão mais belo mas tão mais belo mas tão mais belo que qualquer pessoa, encarnação ou convenção singular ou plural instituída no universo. Universalmente, o que eu teria pra dizer agora é que a reinvenção mais difícil tem se fisicalizado-personificado no ato d o l o r i d o de raspar a barba e de pegar ônibus. O tempo de reinvenção quando a barba cresce é absolutamente da barba, pelos pelos que crescem como querem, quando querem. Raspar é tão abrupto, tão decisório. Tão pertinente à vontade exatamente. Não segue fluxo natural, mas ocasional. Natural vs ocasional nessa idealização pura do que significa pegar ônibus e não ter respaldo psíquico de tempo, do que é necessário ser ou não pra suportar reinvenção diária e confusa porque é. Por extensão, entendi pouco mais do sentido dos outros. Há um fator de pressa que não segura nem libera, só estende. Claramente não encaixa. Não funciona. A mão que escreve, raspa. E é a mesma que afaga e afaga é o mesmo que afoga, ou afogar. Fico afogado no tempo. Nesse tempo, frio mas gostoso, não quente e perdidamente colorido, e gostoso. Não que eu já não entendesse. 

31 de maio de 2014

004 11:01, 04 mai '14

All this space is like an entire city in a dazzle. Everything is as quiet as it could not possibly be, but it is. You walk past a street lamp and you see many tiny squares reflecting yellow light. They grow bigger when you come forward and smaller as you go going backwards. If you get to the part where iron collumns hang from beneath the floor, you can see roses coming up it, coming all upon it, hugging it. Theres also this aspect: you get to walk around the grounds and, as I said, you might be dazzled by it, but at the very second you feel completely unfulfilled by it, by its limited corners, you are always welcome to look into the skies, you know, and you could see, like, pretty perfectly, white sparkly dots in a very black background. You might also get to see two or three yellow sparkly dots in the sky, and as you get your attention closer at it, you might find its actually helicopters, planes, space ships, or anything other than celestial bodies. Also, they move. Thats how you recognize them too. If they were strictly sprung in time, then, maybe, you would not sense the difference. They move, as I move as well. As I clearly hear my steps on these grounds, I clearly see that exactly as for now a helicopter has perfectly alligned the three maries. It is also convincent to think that, as of this second, theyre absolutely four maries. Maybe that could be divine intervention. Or not. Or its simply mere chance. I sense that there is something not exactly wrong about today, but strange at least. Im not being able to communicate exactly. But communication is like passing through a street lamp that reflects lots of tiny little squares freshed by yellow light. If you stop underneath it, it becomes a big square in the sky. But as you go on, you can see that slowly it becomes a lozenge. Then, any kind of quadrangle, until it suddenly disappears because the lines are too thin to make a polygon. Im not standing underneath today, Im just passing and as I pass the lines do not form absolutely nothing. Soon Imma be underneath a street lamp again. And than Ill communicate alright.

29 de março de 2014

Carta Aberta

,
já faz uns anos que, progressivamente, de forma dolorosa até, o Rio tem exercido algumas energias muito de extremos pra quem vive na cidade. Ultimamente tenho recebido uma infinidade desses estímulos urbanos que derrubam e reconstroem, que sujeitam o tempo à ressignificação imersa em uma constância já tão lotada de significados que fica difícil se reintegrar diariamente sem se perder pelo caminho. Falo muito no sentido da urgência e da falta de recreação da vida urbana. Os trajetos e os ofícios se repetem todos os dias, a margem pros acontecimentos variáveis parece sempre muito curta. A cidade penetra na subjetividade de quem circula muito especialmente quando a circulação é interrompida. E a interrupção é o fenômeno mais facilmente perceptível, muito por ser palpável às expectativas e muito por se intrometer no que representaria a ruptura com a rigidez do tempo cotidiano. Tenho pensado muito sobre a frustração contínua a partir daquilo que não se concretiza. Coisas simples, como correr pra pegar o ônibus e ele ir embora. Dar um bom dia e não receber outro de volta. Perder a estação porque não conseguiu passar entre as pessoas no vagão do metrô. Chegar em casa louco por um banho e não ter água. Deixar de encontrar alguém porque ficou preso no trânsito. Não saber como alguém é porque não tem tempo de conversar. Não saber como alguém se sente porque não tem tempo de conversar. Querer ficar com alguém e não ficar. Querer ir pra um lugar e ter que ir pra outro. Não andar nessa rua porque é escura. A sede por um mate mas só tem guaraná natural. O sono que se dorme que não é profundo e não revigora. Não dançar porque alguém observa. Querer pegar alguém no ônibus que você intui que quer te pegar e não se pegar. Coisas simples. São percepções sobre a tensão sexual que não se realiza fisicamente, em que o desejo não se materializa nem se abstrai. Sobre a tensão psicológica do que fazer ou deixar de fazer, do que priorizar, pra onde ir e pra quem dar atenção em um primeiro ou segundo momento. Sobre a tensão física de responder ao corpo ou à vontade, à anatomia ou ao espírito. São coisas potencialmente possíveis de serem realizadas que acabam sem realização. Como se existisse sempre a indução, o quase e o meio-termo e, ao mesmo tempo, a inconclusão. Como se dentro de um universo em que tudo pode ser, muito acaba não sendo por conta do sentimento de vulnerabilidade coerciva da vida urbana. É como se a pessoa está absolutamente enlouquecida pra escrever alguma coisa em caneta preta e procura insistentemente por uma caneta preta e em algum momento percebe que não vai encontrar. Então a pessoa se apropria da caneta azul que existe por perto, que também escreve, e escreve. O conteúdo acaba escrito sem que o ato de escrever tenha se concretizado, porque a tinta não é preta e sensorialmente não representa o mesmo conjunto de coisas. O não concretizável passa por esse tipo de sensação que machuca dia após dia. Um fenômeno vivo que atravessa constantemente o sentimento de passividade da vida urbana é o trânsito. Raramente tem levado menos de duas horas pra ir de qualquer ponto a qualquer ponto do Rio em horário comercial. De transporte público principalmente. A impressão que tenho tido cada vez mais é que a sensação diária de incapacidade de locomoção estagna as pessoas e as automatiza ao passo em que monotoniza seus perfis de consciência e seus estilos de vida. O trânsito tem sido um grande objeto de abstração pra muitas das impressões diárias que pego desse Rio cada vez mais em processo de reformulação estrutural, estética, social e organizacional. Parece um Rio menos natural que antes. Obviamente menos fluido. Nesse sentido, o trânsito, a cidade e o urbano têm funcionado como importantes apropriações pra mim. A sonoridade contemplou muito do sentimento contraditório e angustiante de pertencimento ao mesmo tempo em que não pertencimento à cidade e às articulações do que é viver num coletivo quase estático e protecionista, no sentido de que o individual prevalece à noção do todo. A questão é que sempre tive uma relação muito íntima com imagem enquanto memória e representação afetiva das histórias e das motivações que levam uma pessoa a ter saudosismo da própria vida. A memória em si não deixa de ser uma imagem em construção e desconstrução sempre: um momento da vida que não passa despercebido embora ironicamente tenha a pretensão urbana de ser a própria despercepção. Julguei importante tentar fazer esse contato pra ver se todos esses estímulos têm base pra render.

Muito sincera e afetivamente,

.

22 de fevereiro de 2014

Memoir

     He says, at first, hes a connection between and beyond the logics of all his affective memories. Once he was able to collect and put together a group of memories that would define and draw him perfectly in the present time, then he would become past. He disregards the credits if they come announced as pure creators in a creative birth giving sense. Established that he is no more than spectrums of memories encompassed in time and space, no creation is actually real for the memories are appropriations of his self being and also of his deep glances of attention at life: thats why hed rather be handled personally as a composer other than a creator. Composer as in the one who composes things, who collects and values whichever memories are most affective and draws a thin line which is both imaginary and necessary to the cohesion of the phasic settlement in time of everything that boiled and burst into that specific sequence of events.
     Memories are not actually chosen, as they might choose themselves if theyre free enough. He says he should only be sufficiently alert to perceive the moments they agitate and mix, in order to stop time in slots of places where only memories can tell are essential for him to revisit. Memories are also never disassociated of one another, they aggregate in layers and sum up eventually to a significance that is confunded and coexistencial though never may he think them as only parts: memories are unique and not coercive to one another. To agglutinate senses and points of view towards a thought is not to coerce into one another. Those are some arrows towards the direction hes led when thinking of memories. Hes deeply touched by the things that describe him throughout time. He tends to understand his composition as present as he composes and as past immediately as hes composed.
     As he looks back, the narrative of the memories are so deeply stuck in the time they started to live that, even though he stares at them with blind love, he is to see them as limited registers of himself. He is to believe, by perception, that his overview on his skyline is furthermore detailed and framed at very much larger dimensions than those that image can provide. It feels as if he had photographed each of his memories and, by staring at them, he could clearly notice his eyes ranging wider than the borders of the printed paper. Life, then, would be narrowed down by each one of his perspectives towards the past and, therefore, magically, when he intended to pull his wishes away in the future, life would become a huge exponential telescope chasing the broadminded.
He tries to conceive images every now and then so hes dazzled by their visual composition. If colours match in tone as much as memory describes the vivacity of the lights, then the picture is dashed while it lasts in that format, even if in mind. Hes very well touched by images, may them be however they like.
As anything in life, never would a pattern be welcome to the completion of his undefined memoir. He aims at overcoming formats and medias in order to stop shriveling memories. He believes that what strikes him visually, sonically, cosmically astrologically in ways he cant quite understand is what leads his narrative.
He imagines a symbiotic relation between image and memory. Image exists only, and just only, because memory is possible for human reality. Image is illegitimate if it doesnt carry inborn emotions within it. Perfectly registered images are individuals in a memorial universe. The spirit of the captured frame of picture, or moving picture, essentially has to embody the same energy, visually, that the moment while lasting did, lively. Then, images are images to him.
The tone, as much as the disposition of the colors in a pictured memory, may be either too sensitive to the eye-fading of the image or too saturated if occasions demand the memory to be the first flicks of itself. Visualizing and signifying colors is quite much more a skeptical impression of the inner than the outer. The colors, as well as the lights, if combined into the feeling of the memory as an irredeemable living period, are to lead his memories into their infinite pure sense of nostalgia.
The extension of his memories through imagery come in a solid sense of what they meant to him despite of what he might have imagined they could mean very much in a spirit of indulgence people sometimes have towards flashback situations.
As for flashbacks, he enjoys taking them up through epiphanic experiences the most. He finds comforting to be able to rely on images at times. It is true that he is not always inclined to concretizing memories pictorially, as he himself said before that there must be no patterns for memory births. On the other hand, he is glad to have image as a possibility amongst countless other.
He wanders at the idea nothing should be said as ultimate but, ultimately, memory concerned in terms of composition, through different kinds of rescue and formats, is nothing but very intense drawings by skeptic ideals. Skepticism presumes no certainty and no truth can be attained by the human spirit, condition which soon inserts him in an intellectual position of everlasting doubt and inability to absolutely comprehend the real. After all, he theorizes this is the way it is mainly because real could be inconceivable as all is composition.
At last, he is exhausted of musing and wondering expressions of his life and, truly as for that, hed rather quit as he speaks. He feels like letting things be and stop reasoning at all.

1 de fevereiro de 2014

Clouds Today

THE CLOUDS TODAY
SÃO O AZUL QUE DESCE À HORA DO VERÃO

THEY SEEM SO SPARSE
LIKE TAKING A WHOLE WHILE
TO FUND
& TO COME TOGETHER
LIMPAS
COMO SE O CÉU ESTIVESSE LIMPO
SEMPRE

THEY SOLIDIFY BUT SOON
THEY VANISH
EM MUTABILIDADE INESGOTÁVEL
DE NUVENS QUE NÃO EXISTEM

THEY VANISH DEEPLY & SADLY
COMO NUVENS QUE CAMINHAM EM TODAS AS DIREÇÕES
M
E
N
O
S

P
A
R
A

B
A
I
X
O

THEY VANISH DEEPLY & SADLY
COMO NUVENS QUE SÃO FLUXOS QUE PODEM SER TANTAS 
COISAS

THEY VANISH DEEPLY & SADLY LIKE THEY 
C A N ' T 
E V E N 
B A R E
BEING CLOUDS TODAY