8 de junho de 2014

junho com saturação baixa

Hoje o dia acordou mais orgânico muito por conta da temperatura das cores. O céu super azul completamente pintado pelas nuvens de brancas a cinza claras a cinza escuras. A temperatura do sol tão sutil que não a sentia amarela. Era branca mas possivelmente translúcida, transparente. O quanto de verde hoje está verde é um deslumbre. Até o ar acompanha a temperatura azul do céu e transparente do sol. É tão palpável e orgânico quanto a composição do dia. O ar frio abarca, protege e potencializa o sentido de respirar hoje. O ônibus não tem excepcionalmente ar condicionado e todas as janelas estão abertas. A linha amarela está toda livre às 7h da manhã e o ar se locomove porque o ônibus se locomove. Meu cabelo dança porque minha cabeça dança encostada. Se transporta. O mesmo ar que respirei ao abrir a porta é o ar que me chega pelas janelas. Se você olha pra cima e pro céu e pisca muitas vezes hoje você sente os átomos do ar batendo nos olhos e girando elétricos como zoom in e out macro e micro dentro e fora em detalhe e panorâmica, como cílios dos olhos que caem por dentro mas não machucam: acomodam. Se houve intenção de se fazer despercebido, hoje a subversão da vontade vem pela simples inaptidão a ignorar o dia quando ele se consolida tão mais belo mas tão mais belo mas tão mais belo que qualquer pessoa, encarnação ou convenção singular ou plural instituída no universo. Universalmente, o que eu teria pra dizer agora é que a reinvenção mais difícil tem se fisicalizado-personificado no ato d o l o r i d o de raspar a barba e de pegar ônibus. O tempo de reinvenção quando a barba cresce é absolutamente da barba, pelos pelos que crescem como querem, quando querem. Raspar é tão abrupto, tão decisório. Tão pertinente à vontade exatamente. Não segue fluxo natural, mas ocasional. Natural vs ocasional nessa idealização pura do que significa pegar ônibus e não ter respaldo psíquico de tempo, do que é necessário ser ou não pra suportar reinvenção diária e confusa porque é. Por extensão, entendi pouco mais do sentido dos outros. Há um fator de pressa que não segura nem libera, só estende. Claramente não encaixa. Não funciona. A mão que escreve, raspa. E é a mesma que afaga e afaga é o mesmo que afoga, ou afogar. Fico afogado no tempo. Nesse tempo, frio mas gostoso, não quente e perdidamente colorido, e gostoso. Não que eu já não entendesse. 

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